O oceano profundo, com sua vastidão inexplorada e suas trevas eternas, é o lar de inúmeros mistérios que desafiam a ciência e alimentam a imaginação popular. Em 1997, um desses mistérios capturou a atenção do mundo: um ruído subaquático de frequência ultra baixa, tão potente que foi ouvido a mais de 5.000 quilômetros de distância por hidrofones da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Este foi o nascimento do “Bloop”.
Por anos, o som, que se assemelhava a um “bloooop” deslizante, permaneceu como o ruído não identificado mais alto já registrado no fundo do mar. Teorias mirabolantes — de monstros marinhos gigantescos (inspirando até mesmo a criatura Lovecraftiana, Cthulhu) a bases militares secretas no abismo — dominaram a internet.
Como especialistas em Ciência, Mistérios e História Geral, mergulhamos nos dados mais recentes da acústica oceânica para desvendar a origem real do Bloop e o que ele nos revela sobre o estado atual do nosso planeta.
A Descoberta: Quando e Onde o Bloop Rugiu?
O enigma do Bloop começou no verão de 1997, em uma área remota do Oceano Pacífico Equatorial, próximo ao ponto de monitoramento dos hidrofones autônomos da NOAA.
- Alcance Assustador: O volume do som era de uma magnitude inédita, superando o dos maiores animais marinhos conhecidos, como a baleia azul. Enquanto os chamados da baleia azul podem ser ouvidos a centenas de quilômetros, o Bloop viajou por milhares (Fonte: O Antagonista).
- Características Biológicas vs. Mecânicas: Os cientistas da NOAA, após exaustivas análises, descartaram as origens mecânicas (motores de navios, perfurações no mar) por ser um som não rítmico. Contudo, suas características (frequência, forma) também não se encaixavam em nenhum som biológico conhecido.
- Mistério na Internet: A falta de uma explicação imediata permitiu que teorias de pseudociência prosperassem, reforçando o fascínio pelo desconhecido no fundo do mar.
A Revelação em 2012: O Gelo Quebrado
A resposta para o Bloop, longe de ser um monstro marinho, revelou algo ainda mais preocupante: a atividade glacial em colapso.
- Icequakes: Em 2012, os cientistas da NOAA, comparando o Bloop com o perfil sonoro de outros eventos, confirmaram que a sua origem era geofísica, especificamente o som de “icequakes” — grandes descolamentos de gelo da Antártida que caem no oceano ou rangem no fundo do mar (Fonte: UFMG, O Antagonista).
- Amplificação Natural: O volume maciço do Bloop era resultado da propagação eficiente do som através do oceano profundo, em uma camada específica conhecida como canal SOFAR (Sound Fixing and Ranging), que permite que ondas sonoras viajem por distâncias incríveis.
A Verdade Assustadora: O que era considerado um mistério cósmico se transformou em um alerta climático. O aumento na frequência e intensidade de sons semelhantes ao Bloop sugere que o rompimento de geleiras está se tornando mais comum, um indicador preocupante da aceleração do aquecimento global.
Outros Enigmas Acústicos do Abismo
O Bloop não é o único som a intrigar a comunidade científica. A vastidão do oceano profundo continua a ser uma caixa de ressonância para ruídos inexplicáveis, que a cada dia nos ensinam mais sobre a dinâmica do planeta:
- Slow Down (1997): Ganhou esse nome (“desacelerar”) porque sua frequência diminuía lentamente por cerca de sete minutos. Nunca mais foi ouvido desde então.
- Julia (1999): Um ruído estranho, inicialmente inexplicável, mas mais tarde atribuído a icebergs encalhados e rangendo no fundo do mar próximo à Antártica.
- Biotwang (Década de 2000): Sons que se assemelham a um twang metálico, inicialmente um mistério. Foi recentemente identificado como sendo o chamado de baleias-de-Bryde (Balaenoptera edeni), possivelmente usado para geolocalização (Fonte: Superinteressante).
- Bio-Duck (Desde os anos 60): Pulsações repetitivas que soam como um “quack” subaquático, frequentemente captadas por submarinos. Evidências recentes sugerem que são produzidos por baleias minke antárticas.
Para entender mais sobre a vida no abismo e os mistérios que o oceano ainda esconde, confira nosso artigo: https://www.paiquere.com.br/18/06/2025/5-habitos-que-ajudam-a-preservar-a-memoria-ao-envelhecer/.
✅ Conclusão: De Lenda a Litígio Climático
O Bloop deixou de ser a voz de um monstro das profundezas e passou a ser o som do planeta em aquecimento. O desvendamento de sua origem — o colapso de geleiras gigantescas — revela que os maiores mistérios do oceano, muitas vezes, nos apontam para os desafios ambientais da nossa era.
O fundo do mar continua a ser um universo acústico em constante mudança, e a contínua monitorização sonora é uma ferramenta essencial para cientistas que buscam mapear a saúde do nosso planeta, desde a atividade sísmica até os dramáticos efeitos das mudanças climáticas.
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